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Joias do Pará foram expostas na Bolsa de Turismo de Lisboa

Marcadas pela sustentabilidade e inovação, 28 joias em ouro e prata do Polo Joalheiro do Pará estiveram em exposição no estande do Governo do Pará na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL). O evento encerrou no domingo, 1º de março, em Lisboa, Portugal, no Pavilhão do Parque das Nações.

Com o tema “Joias Sustentáveis da Amazônia”, a exposição teve como referência e diferencial as gemas vegetais e a “metal-morfose”, inovações desenvolvidas no âmbito do Programa Polo Joalheiro do Pará. As joias expostas no local foram criadas e produzidas por designers, ourives, lapidários e demais profissionais que integram o Polo Joalheiro.

A mostra integra as ações da Secretaria de Estado de Turismo (Setur), de divulgação do Pará como um destino turístico considerado a obra-prima da Amazônia, atraindo turistas internacionais, em especial da Europa. A ação tem sido incrementada com a ligação direta do vôo Belém-Lisboa, operado pela TAP, que conecta a capital portuguesa a outros 55 destinos do Velho Mundo.

A exposição de joias do Polo Joalheiro do Pará ocupa parte do espaço físico de 52 metros da feira, destinado ao Estado do Pará, e conta com a parceria da Setur e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), que realizam e apóiam a iniciativa. Também pode ser encontrado, no local, material do receptivo paraense.

A mostra de joias foi um dos destaques na BTL, chamando a atenção, em especial, de visitantes oriundos de Portugal, República Dominicana, Moçambique, Alemanha, Espanha e Argentina. A joia artesanal do Polo é reconhecida em todo o Brasil e no exterior, por incorporar matéria-prima diferenciada e sustentável ao metal nobre, contribuindo para o surgimento de uma joia onde a originalidade expressa a cultura do seu território.

Para a exposição em Lisboa foram selecionadas joias que mostrassem essas inovações, calcadas na sustentabilidade. No espaço, os visitantes podem encontrar joias com gemas vegetais de chocolate, como o anel criado por Joelson Leão e produzido pela Amajoias.

Outro exemplo é o anel e o pingente da coleção “Metalmorfose da Amazônia”, criados pela designer Joseli Limão e produzidos pela Danatureza, com ourivesaria de Ednaldo Pereira. São joias em prata que realçam a gema de mandioca, produto orgânico oriundo de resina e pigmentos naturais retirados de plantas e processados para utilização na joalheria.

As gemas vegetais foram criadas pelo mestre ourives e pesquisador paraense Paulo Tavares e têm dureza similar à de uma pérola, podendo ser encontradas nas cores e com insumos de variadas espécies regionais, como o açaí, a pupunha, o abacaxi e a pimenta.

Também chamaram a atenção de quem visitou a exposição, joias criadas com uma técnica especial de coloração, denominada “metal-morfose”, que confere um colorido único em joias em ouro e prata. As cores são geradas a partir do aproveitamento de resíduos da reciclagem do metal nobre e do lixo das unidades produtivas.

Identificada pelo respeito ao meio ambiente, a técnica de ourivesaria resulta do trabalho desenvolvido, ao longo de uma década, pelo pesquisador e mestre ourives Paulo Tavares. Joias com novas cores surgem com a aplicação desta tecnologia, aliada a outra inovação: a “incrustação paraense”, também conhecida como incrustação a frio e desenvolvida por Paulo Tavares e Argemiro Muñoz, sendo aprimorada pelo ourives Joelson Leão, no âmbito do Programa Polo Joalheiro do Pará. O processo de coloração substitui a esmaltação e utiliza resíduos da lapidação de gemas minerais ou de produtos orgânicos.

As joias das coleções Paredão de Sonhos e Rastros, criadas pela designer Mônica Matos, representam bem a “metal-morfose”. Inspiradas na história que envolve a extração do ouro no Pará, a designer Mônica Matos, da Joias da Amazônia, escolheu o tema pela forte simbologia que o envolve e pela amplitude para a utilização das cores extraídas do metal utilizado: metassilicato de cobre, carbonato de cobre e hidróxido de metais.

Os colares de Mônica Matos fazem referência às cores dos locais de garimpo, dos barrancos e do próprio minério ali extraído, relacionando-as com a poética dos sonhos dos garimpeiros e da escada que levava aos sonhos. Ela também referenda as joias, visualmente, com os rastros e crateras (ou “grandes vácuos”) formados nos locais de extração de ouro.

A ambientação da exposição foi obra do artesão Guilherme Júnior, da empresa Ayty, e do designer Felipe Braun, que também optaram por retratar questões ambientais, ao utilizar painéis formados por lâminas sustentáveis de madeira pré-composta, uma amostra do artesanato de Guilherme. Especialista em macheteria (artesanato em madeira), o artesão cria peças ecologicamente corretas com lâminas de madeira descartada, reaproveitadas de serrarias, trabalho pelo qual recebeu certificado do prêmio "Sebrae Qualidade e Serviço de 2014", onde ficou entre os dez finalistas selecionados entre mais de 1.780 empresas de todo o Pará.

Texto: Luciane Fiuza – Ascom São José Liberto

Foto: Divulgação/Ascom Setur