Escolhida como cidade sede da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), em novembro 2025, Belém terá pelos próximos dois anos grandes desafios a serem superados pela gestão pública municipal, estadual e federal, além da necessidade de envolvimento da iniciativa privada e participação ativa do Terceiro Setor.
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“Planejamento, organização, metodologias ágeis de decisão, conhecimento técnico e capacidade de execução, além de muita energia, precisarão ser empreendidos em um esforço coletivo por todos os atores envolvidos nesse processo de realizar um evento da magnitude da COP 30, onde são esperados mais de 50 mil visitantes de delegações e comitivas de centena de países”, afirma o secretário adjunto de Turismo do Pará, Lucas Vieira.
No terceiro dia da Feira Internacional de Turismo da Amazônia (FITA), já na tarde noite deste sábado (17), no Hangar, como participante do painel “Governança no turismo: os desafios de uma cidade para receber grandes eventos”, Lucas Vieira destacou o planejamento urbano, obras e projetos sustentáveis que serão executados na capital paraense por conta do evento global.
O adjunto da Secretaria de Estado de Turismo (Setur) apresentou as muitas obras previstas para Belém como o Parque da Cidade, Porto Futuro 2, a reforma dos principais pontos turísticos de Belém, ampliação do aeroporto, dragagem do Porto Cruzeiro, finalização do BRT, implantação de ônibus elétricos, requalificação de 16 vias da cidade e ampliação da rede de Internet na cidade, compensação energética com 3 usinas fotovoltaicas, reforma do Ver-o-Peso, corredor gastronômico do Boulevard Castilhos França, Parque Urbano São Joaquim, a construção de novos hotéis em prédios abandonados, reforma da rede hoteleira atual, capacitação do profissionais da rede hoteleira, bares e restaurante e prestadores de serviços de transporte, além de produtos turísticos com experiência amazônica.
Dados de uma pesquisa da plataforma Booking.com reforçam a necessidade desse olhar de desenvolvimento urbano sustentável e turismo como um dos legados da COP para a capital paraense. Segundo o levantamento, 66% dos turistas brasileiros afirmam que as discussões sobre mudança climática os incentivaram a adotarem práticas mais sustentáveis e 90% desses turistas nacionais querem viajar de forma mais sustentável nos próximos 12 meses. Além disso, mais da metade dos brasileiros estariam dispostos a pagar mais por opções de viagens com uma certificação sustentável. “Em outras palavras, o está sendo construído agora”, conclui Lucas.
Para a presidente executiva da Braztoa, Marina Figueiredo, destacou as possibilidades de valor agregado, reforço de imagem, posicionamento estratégico e oportunidades de negócio ao sediar um evento dessa dimensão. “Eu costumo dizer que os desafios são imensos, mas as oportunidades são na mesma medida dos desafios. Nossa experiência mostra que os maiores desafios de eventos desse tamanho estão ligados a logística, estrutura, prestação de serviços e qualificação”, disse.
Marina reforçou também a importância de parceria entre poder público e o mercado. “Talvez se não fosse a Cop não teria esse volume de recursos que estão chegando, todo esse olhar de investimentos que estamos tendo. É fundamental que se tenha alinhamento e coerência com a pauta e o compromisso com a Sustentabilidade”, destacou.
Quem encerrou o painel foi Dr Borja, consultor da NVX Experience Design, que falou sobre “Antifragilidade e governança turística”, que é um especialista em construção de experiências no Turismo, algumas delas sendo desenvolvidas no Pará. “Ser antifrágil é mais do que ser resiliente, é a evolução com a experiência vivida, e como isso pode servir de aprendizado, neste caso aqui num processo de construção colaborativa do turismo”, disse ao mencionar o papel do poder público, iniciativa privada e o Terceiro Setor atuando juntos com interdependência. “Assim se constrói governança”, concluiu.
Texto: Israel Pegado – Ascom Setur
Fotos: Marciney Costa – Ascom Setur




